Um drone com sonar: nova investigação avalia a batimetria aérea para monitorizar infraestruturas costeiras

Uma equipa da Universidade de Santiago de Compostela valida, num dique seco da Armada em Ferrol, um sistema de sonar monoscópico suspenso sob um drone como ferramenta rápida e de baixo custo para inspecionar o fundo de portos, diques e canais.

Medir com precisão a profundidade da água é uma tarefa essencial na engenharia costeira. As campanhas tradicionais com sonar multifeixe (MBES) oferecem grande exatidão, mas requerem embarcações especializadas, pessoal experiente e orçamentos que nem sempre estão ao alcance de pequenos projetos ou de inspeções frequentes. Um novo estudo publicado no Journal of Civil Structural Health Monitoring explora uma alternativa: suspender uma ecossonda monofeixe (SBES) sob um drone (UAV) para realizar levantamentos batimétricos de forma ágil, portátil e sem necessidade de embarcação.

O trabalho, assinado por Bethsaide Souza-Santos, Marcos Arza-García, Juan Ortiz-Sanz e Mariluz Gil-Docampo, foi desenvolvido no dique seco de San Julián, no Arsenal Militar de Ferrol, uma instalação que pode ser completamente esvaziada e cheia. Esta particularidade permitiu algo pouco habitual neste tipo de validações: comparar diretamente as medições do sonar com um modelo digital do fundo obtido por fotogrametria aérea de altíssima resolução (0,55 cm por píxel) quando o dique estava seco, eliminando assim as incertezas introduzidas pela água — turbidez, dispersão acústica e variações na velocidade do som — noutras validações de campo.

Com um conjunto de dados de mais de 16.000 pontos co-registados e profundidades de até 8 metros, os resultados mostram uma diferença média de apenas 0,15 m entre o sonar e a referência fotogramétrica, com um desvio-padrão de 0,58 m. A partir destes resíduos, a equipa calculou uma Alteração Mínima Detetável com 95 % de confiança (MDC₉₅) de aproximadamente 1,6 m para uma única medição e de apenas 0,5 m quando são realizadas médias de passagens repetidas sobre o mesmo ponto.

O que significa isto na prática? Que o sistema UAV-SBES funciona muito bem como ferramenta de triagem (Tier-1): é capaz de detetar alterações de escala métrica a decimétrica — socavões, deslocamentos de blocos, impactos de embarcações, assentamentos significativos — e de priorizar as zonas que merecem uma inspeção de maior precisão. Em contrapartida, não substitui os sistemas multifeixe nem os sensores de contacto quando é necessário detetar deformações à escala milimétrica.

O estudo também identifica onde o método apresenta maiores limitações: em paredes escalonadas, estruturas de madeira e outras superfícies verticais ou irregulares, onde a dispersão e as reflexões múltiplas do sinal acústico degradam a qualidade da medição. Os autores apresentam ainda recomendações operacionais concretas — gestão do cabo do transdutor, janelas de vento e precipitação, geometria das passagens — para integrar este tipo de voos em programas reais de monitorização estrutural.

Trata-se de uma das primeiras validações deste tipo de sistema num ambiente de engenharia controlado e a profundidades superiores às estudadas até agora, o que amplia a sua relevância para infraestruturas portuárias reais.

Este trabalho foi desenvolvido com o apoio, entre outras entidades, do projeto POCTEP-INTERREG AEROGANP, no âmbito das linhas de investigação em tecnologia aérea aplicada à monitorização de infraestruturas.

Consulte o artigo completo através do seguinte link.